O Dr. Bruno Hurtado Rodrigues, urologista em São Paulo especializado em medicina sexual masculina, explica neste artigo o que é a deficiência de testosterona, como reconhecer os sintomas, como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento.
Cansaço sem explicação, queda da libido, dificuldade de concentração, ganho de peso e disfunção erétil. Esses sintomas são frequentemente atribuídos ao estresse ou ao envelhecimento — mas podem ter uma causa hormonal tratável: a deficiência de testosterona, também chamada de hipogonadismo masculino.
Neste artigo, explico o que é a testosterona baixa, como reconhecer os sintomas, como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento disponíveis.
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, produzido principalmente nos testículos sob controle do eixo hipotálamo-hipofisário. Ela é responsável por uma série de funções essenciais no organismo masculino:
A partir dos 30 anos, os níveis de testosterona diminuem naturalmente cerca de 1 a 2% ao ano. Quando essa queda é acentuada e causa sintomas, estamos diante do hipogonadismo — uma condição médica tratável.
Os sintomas da deficiência de testosterona são variados e muitas vezes inespecíficos, o que dificulta o reconhecimento da condição. Os principais são:
Segundo as diretrizes da AUA (Avaliação e Manejo da Deficiência de Testosterona, Mulhall et al., J Urol 2018) e da EAU (Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2024), o diagnóstico de hipogonadismo requer a presença de sintomas clínicos associada à confirmação laboratorial de níveis baixos de testosterona.
A AUA estabelece como ponto de corte para diagnóstico um nível de testosterona total abaixo de 300 ng/dL. O diagnóstico deve ser confirmado com duas dosagens realizadas em dias diferentes, preferencialmente pela manhã (entre 7h e 10h), quando os níveis são mais elevados.
O hipogonadismo pode ser classificado em dois tipos principais:
A deficiência de testosterona está associada a maior risco de síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. A AUA orienta que os pacientes devem ser informados de que testosterona baixa é um fator de risco cardiovascular — e que o tratamento das causas subjacentes (obesidade, sedentarismo, diabetes) pode restaurar os níveis hormonais sem necessidade de reposição.
Em muitos casos de hipogonadismo secundário, tratar a causa é suficiente para normalizar os níveis de testosterona. Perda de peso, controle do diabetes, suspensão de medicamentos que suprimem o eixo hormonal e tratamento de doenças crônicas são medidas que podem restaurar a função hormonal sem reposição.
Quando indicada, a reposição de testosterona melhora significativamente a libido, a composição corporal, o humor, a energia e a função erétil. As principais vias de administração disponíveis no Brasil são:
A TRT é contraindicada em algumas situações importantes:
Essa é uma das dúvidas mais frequentes dos pacientes. A resposta, baseada nas evidências atuais e nas diretrizes da AUA, é que não há evidências de que a terapia de reposição de testosterona cause câncer de próstata em homens sem a doença. No entanto, o rastreamento com PSA antes e durante o tratamento é obrigatório.
Segundo as diretrizes da AUA, os pacientes em terapia de reposição de testosterona devem ser monitorados com:
A deficiência de testosterona é uma condição médica real, prevalente e tratável — mas que exige diagnóstico correto antes de qualquer intervenção. Sintomas inespecíficos como cansaço e queda da libido têm muitas causas possíveis, e a testosterona baixa é apenas uma delas.
Se você suspeita que seus sintomas podem estar relacionados à testosterona, agende uma avaliação com um urologista ou endocrinologista para um diagnóstico completo e individualizado.
Referências: Mulhall JP et al. Evaluation and management of testosterone deficiency: AUA guideline. J Urol, 2018 · EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2024 · Bhasin S et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018 · Jayasena CN et al. Society for Endocrinology guidelines for testosterone replacement therapy in male hypogonadism. Clin Endocrinol, 2022.
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Agendar pelo WhatsAppDr. Bruno Hurtado Rodrigues — Urologista em São Paulo, especializado em uro-oncologia, cirurgia robótica e medicina sexual masculina. Mestre em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center. CRM-SP 139.902 | RQE 55.410.