O Dr. Bruno Hurtado Rodrigues, urologista em São Paulo especializado em medicina sexual masculina, aborda neste artigo uma queixa frequente no consultório que ainda é pouco comentada: a perda do desejo sexual no homem.
Muita gente associa queixa sexual masculina só à disfunção erétil ou à ejaculação precoce. Mas existe uma queixa que aparece com frequência no consultório e que ainda é pouco comentada: a perda do desejo sexual, ou queda da libido.
É comum o homem notar que simplesmente "não tem mais vontade" — mesmo com uma relação saudável, mesmo sem brigas, mesmo sem motivo aparente. E, por vergonha ou por achar que é "coisa da idade" ou "fase", ele deixa de falar sobre isso, inclusive com o próprio médico. O problema é que a queda de libido pode ser um sintoma, não uma sentença — e, como sintoma, costuma ter causa identificável e tratamento.
Desejo sexual é diferente de desempenho sexual. Um homem pode ter ereção perfeitamente funcional e ainda assim sentir pouco ou nenhum interesse em ter relações. É esse desinteresse — persistente, não apenas um dia de cansaço ou estresse pontual — que caracteriza a queda de libido.
Vale ressaltar que é normal a vontade sexual variar ao longo da vida, entre fases de mais e menos interesse. O que chama atenção é quando essa queda é persistente a ponto de incomodar o próprio homem ou a relação, e dura mais que algumas semanas.
A libido masculina é algo não totalmente compreendido na medicina, e envolve múltiplos fatores físicos, químicos e psicológicos.
É uma das causas mais investigadas, mas não é tão comum como se vê na internet. A testosterona tende a reduzir gradualmente a partir dos 40–50 anos em alguns homens, mas também pode cair por outros motivos em idades mais jovens — obesidade, sono ruim, uso de certos medicamentos, entre outros. Quando a queda é significativa, o próprio desejo sexual tende a diminuir, às vezes acompanhado de cansaço, perda de massa muscular e mudanças de humor. Apesar de ser uma possível causa, se a dosagem estiver dentro dos limites da normalidade, tomar mais testosterona não vai resolver o problema.
Ansiedade, depressão, estresse crônico e até problemas no relacionamento costumam reduzir o interesse sexual — e esse é, provavelmente, o fator mais subestimado pelos próprios pacientes, que tendem a buscar primeiro uma causa "física". Problemas de doenças na família e dificuldade financeira podem derrubar o desejo, bem como pequenos desentendimentos conjugais repetidos mês após mês.
Alguns antidepressivos, remédios para pressão alta e outros tratamentos crônicos podem reduzir a libido como efeito colateral. Isso não significa que o remédio deva ser interrompido por conta própria — significa que vale conversar com o médico sobre alternativas.
O abuso de álcool e maconha também pode impactar no desejo sexual em longo prazo.
Diabetes, hipotireoidismo, obesidade e apneia do sono estão entre as condições que impactam diretamente os hormônios e a disposição física e sexual.
Dormir mal e pouca atividade física afetam diretamente a produção hormonal e os níveis de energia — e, por consequência, o desejo.
A tentação é tratar a queda de libido como algo inevitável ou vergonhoso demais para comentar. Mas, na prática, ela pode ser o primeiro sinal perceptível de um desequilíbrio hormonal ou de uma condição de saúde que, se identificada a tempo, tem solução — e às vezes beneficia muito mais do que a vida sexual: sono, energia, humor e disposição no dia a dia também melhoram.
A investigação costuma começar com uma conversa detalhada sobre histórico de saúde, sono, uso de medicamentos, rotina e também aspectos emocionais — sem julgamento, porque isso faz parte do diagnóstico. Depois, exames de sangue ajudam a avaliar níveis hormonais (incluindo testosterona), função da tireoide, glicemia e outros marcadores relevantes.
A partir daí, o tratamento é individualizado: pode envolver ajustes de hábitos (sono, atividade física, controle de peso), tratamento de uma condição de base, revisão de medicamentos em uso ou, quando indicado, reposição hormonal sob acompanhamento médico. Não existe fórmula única — e desconfie de qualquer promessa de solução rápida e padronizada para todo mundo.
Vale buscar avaliação quando a queda de desejo sexual persiste por mais de algumas semanas, vem acompanhada de cansaço excessivo, mudanças de humor ou alterações físicas (como perda de massa muscular), ou quando está gerando desconforto pessoal ou no relacionamento. Não é preciso esperar que o problema "piore" para conversar com um médico — e não é preciso, tampouco, sentir vergonha: é uma queixa de saúde como qualquer outra.
Se você tem notado uma queda persistente no desejo sexual e isso tem incomodado, vale marcar uma consulta para investigar com calma o que pode estar por trás disso. Entender a causa é o primeiro passo para cuidar dela da forma certa.
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo, e não substitui uma consulta médica individual. Cada caso tem particularidades que só podem ser avaliadas em atendimento presencial com um especialista.
Notou uma queda persistente no desejo sexual? Agende uma consulta com o Dr. Bruno Hurtado em São Paulo para investigar a causa.
Agendar pelo WhatsAppDr. Bruno Hurtado Rodrigues — Urologista em São Paulo, especializado em uro-oncologia, cirurgia robótica e medicina sexual masculina. Mestre em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center. CRM-SP 139.902 | RQE 55.410.