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Cirurgia Robótica para Câncer de Próstata: Por que é Superior à Técnica Aberta e Laparoscópica?

Por Dr. Bruno Hurtado Rodrigues · 29 de Julho de 2026
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Quando o diagnóstico de câncer de próstata indica que a cirurgia é necessária, uma das primeiras perguntas do paciente costuma ser: "Qual é a melhor técnica?". A resposta, cada vez mais sustentada pela literatura científica, aponta para a cirurgia robótica — oficialmente chamada de Prostatectomia Radical Assistida por Robô (RARP).

Neste artigo, explico as diferenças entre as três abordagens cirúrgicas disponíveis — cirurgia aberta, laparoscópica e robótica — e o que as evidências científicas dizem sobre cada uma delas.

As três abordagens para a retirada da próstata

A prostatectomia radical — cirurgia que remove a próstata com o objetivo de curar o câncer — pode ser realizada de três formas:

Cirurgia aberta (retropúbica)

É a técnica mais antiga, desenvolvida nas décadas de 1980 e 1990. O cirurgião realiza uma incisão de aproximadamente 10 a 12 cm no abdômen inferior para acessar e remover a próstata. Durante décadas foi o padrão-ouro, mas hoje é cada vez menos utilizada nos centros de referência.

Cirurgia laparoscópica

Introduzida nos anos 1990, a laparoscopia substitui a incisão grande por pequenos orifícios no abdômen, por onde o cirurgião introduz uma câmera e instrumentos. Trouxe avanços importantes em relação à técnica aberta — menos sangramento, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. No entanto, os instrumentos laparoscópicos convencionais têm mobilidade limitada, exigindo grande experiência do cirurgião para preservar estruturas delicadas.

Cirurgia robótica (RARP)

A cirurgia robótica representa a evolução tecnológica da laparoscopia. O cirurgião opera sentado em um console, controlando braços robóticos com movimentos de alta precisão, visualização tridimensional ampliada e instrumentos articulados que imitam — e superam — os movimentos do punho humano. No Brasil, o sistema mais utilizado é o da Intuitive Surgical (sistema Da Vinci), para o qual o Dr. Bruno Hurtado possui certificação internacional.

O que dizem as evidências científicas?

Uma metanálise publicada em 2026, que analisou 27 estudos com mais de 38.500 pacientes, consolidou o que estudos anteriores já apontavam: a cirurgia robótica se associa a menor perda de sangue, menor necessidade de transfusão e menor tempo de internação — com melhores resultados funcionais, incluindo recuperação da continência urinária e maior taxa de preservação dos nervos responsáveis pela ereção.

Menos sangramento e menos transfusão

Comparada à cirurgia aberta, a prostatectomia robótica reduz a perda de sangue em cerca de 516 mL e diminui a taxa de transfusão em mais de 75%. Isso significa menos riscos no período cirúrgico e recuperação mais confortável.

Menor tempo de internação

O tempo de internação hospitalar é em média 1,5 a 2 dias menor na cirurgia robótica em comparação com a técnica aberta. Em muitos centros de excelência ao redor do mundo, já é possível realizar a prostatectomia robótica com alta no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento.

Menos complicações gerais

A taxa de complicações gerais após a cirurgia robótica é cerca de 40% menor do que após a cirurgia aberta. Isso inclui complicações como sangramento, infecção cirúrgica e trombose.

Maior preservação dos nervos (nerve sparing)

Este é um dos pontos mais relevantes para a qualidade de vida do paciente. Os nervos responsáveis pela ereção correm muito próximos à próstata — preservá-los durante a cirurgia é fundamental para manter a função sexual. A taxa de cirurgia com preservação nervosa é 64% maior na abordagem robótica em comparação com a técnica aberta, graças à visualização ampliada e à precisão dos instrumentos.

Melhor recuperação da função erétil

Como consequência direta da maior preservação nervosa, a recuperação da função erétil após a prostatectomia robótica é significativamente melhor do que após a cirurgia aberta. Isso não significa que todos os pacientes recuperam a ereção imediatamente — a recuperação leva meses e depende de fatores individuais — mas as chances são maiores com a técnica robótica.

Resultados oncológicos equivalentes

Um ponto importante: em termos de controle do câncer, as três técnicas apresentam resultados comparáveis. As taxas de margens cirúrgicas positivas e de recidiva bioquímica são semelhantes entre a cirurgia robótica, laparoscópica e aberta. Ou seja, a cirurgia robótica não abre mão da eficácia oncológica — ela oferece os mesmos resultados de controle do câncer com menos impacto na qualidade de vida.

Robótica x Laparoscópica: qual a diferença?

Ambas são minimamente invasivas e superiores à técnica aberta nos quesitos sangramento e recuperação. A diferença está nos detalhes — mas são detalhes que importam muito:

CritérioLaparoscópicaRobótica
Visualização2D (bidimensional)3D ampliada (10x)
Articulação dos instrumentosLimitada7 graus de liberdade
Tremor das mãosPresenteFiltrado pelo robô
Preservação nervosaMais difícilMais precisa
Recuperação da continênciaBoaSuperior
Recuperação da ereçãoBoaSuperior
Curva de aprendizadoLongaMais reprodutível

Estudo comparativo de 2024 demonstrou que a cirurgia robótica apresenta melhor recuperação da continência urinária e da função erétil em todo o período de seguimento em comparação com a laparoscópica — mesmo no início da curva de aprendizado do cirurgião robótico.

Meta-análise comparando as três técnicas confirma que as taxas de preservação nervosa, recuperação completa da continência e recuperação da função erétil são significativamente maiores após a prostatectomia robótica em relação à laparoscópica convencional.

E a técnica aberta ainda tem algum papel?

Embora o advento da cirurgia robótica haver mudado o paradigma no tratamento do câncer de próstata, infelizmente ela ainda não é totalmente difundida e acessível a todos os homens com a doença. A cirurgia aberta ainda é muito realizada no Brasil, principalmente longe dos grandes centros, como São Paulo.

A cirurgia robótica é para todos os pacientes?

A cirurgia robótica é indicada para a maioria dos pacientes com câncer de próstata localizado ou localmente avançado que precisam de tratamento cirúrgico. No entanto, a escolha da técnica deve sempre levar em conta:

A conversa franca com o cirurgião antes da operação é fundamental para alinhar expectativas e entender os riscos e benefícios de cada opção.

Vale ressaltar que mesmo a tecnologia robótica pode não garantir a cura, principalmente em casos de doenças com características mais agressivas.

Conclusão

A cirurgia robótica representa hoje o estado da arte no tratamento cirúrgico do câncer de próstata. As evidências científicas são consistentes: ela oferece menos sangramento, menor tempo de internação, menos complicações e — principalmente — melhores chances de preservar a continência urinária e a função sexual, sem abrir mão do controle oncológico.

Se você ou alguém próximo foi diagnosticado com câncer de próstata e a cirurgia foi indicada, converse com um urologista especializado em cirurgia robótica para entender todas as opções disponíveis.


Referências: EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer, 2026 (uroweb.org) · AUA/ASTRO Guideline on Clinically Localized Prostate Cancer, 2026 · Comparative functional, perioperative and oncological outcomes of RARP vs ORP: systematic review and meta-analysis, Int Urol Nephrol, 2026 · RARP vs ORP: systematic review and meta-analysis of prospective studies, J Robotic Surg, 2023 · Comparative evaluation of continence and potency after RARP vs LRP, Surgical Oncology, 2024.

Ficou com dúvidas? Agende uma consulta com o Dr. Bruno Hurtado em São Paulo.

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Dr. Bruno Hurtado Rodrigues — Urologista em São Paulo, especializado em uro-oncologia, cirurgia robótica e medicina sexual masculina. Mestre em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center. CRM-SP 139.902 | RQE 55.410.