O Dr. Bruno Hurtado Rodrigues, urologista em São Paulo especializado em uro-oncologia, explica neste artigo os tipos de câncer de bexiga, por que o sangue na urina é o sinal mais importante e quais são as opções de tratamento disponíveis.
O câncer de bexiga é o quarto tumor urológico mais comum no mundo, segundo as diretrizes da European Association of Urology (EAU) de 2026. No Brasil, é responsável por milhares de diagnósticos por ano. A boa notícia é que, quando identificado precocemente, tem excelentes perspectivas de tratamento.
Neste artigo, explico os tipos de câncer de bexiga, os principais sintomas, como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento.
O câncer de bexiga origina-se nas células que revestem a parede interna da bexiga — o urotélio. O tipo mais comum é o carcinoma urotelial (anteriormente chamado de carcinoma de células transicionais), que representa cerca de 90% dos casos.
Os tumores de bexiga são classificados de acordo com a profundidade de invasão na parede vesical:
O principal fator de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo — responsável por aproximadamente 50% dos casos. Fumantes têm risco 2 a 4 vezes maior de desenvolver a doença em comparação com não fumantes. O risco persiste por anos após a cessação, mas diminui progressivamente.
Outros fatores de risco incluem:
O sintoma mais característico — e que deve levar imediatamente ao urologista — é a hematúria: sangue na urina.
Sangue visível na urina, geralmente sem dor, é o sinal de alarme mais importante do câncer de bexiga. Segundo as diretrizes da EAU 2026, todo homem acima de 35 anos com hematúria macroscópica sem causa infecciosa evidente deve ser investigado para tumor urotelial.
A hematúria pode ser intermitente — aparecer e desaparecer espontaneamente — o que leva muitos pacientes a não procurar atendimento. Isso é um erro: a ausência de sangue na urina em um exame não descarta o diagnóstico.
A citologia urinária — exame que analisa as células presentes na urina — é útil especialmente para tumores de alto grau. No entanto, tem sensibilidade limitada para tumores de baixo grau.
A cistoscopia é o exame fundamental para o diagnóstico do câncer de bexiga. Consiste na introdução de um endoscópio fino pela uretra para visualização direta do interior da bexiga. Permite identificar lesões suspeitas, avaliar sua localização e tamanho.
Quando um tumor é identificado na cistoscopia, a ressecção transuretral da bexiga (RTU-B) é realizada — um procedimento endoscópico que remove o tumor e fornece material para análise histológica. É ao mesmo tempo diagnóstica e terapêutica para tumores superficiais.
A uroTC avalia o trato urinário superior, o estadiamento local e a presença de metástases em tumores músculo-invasivos.
O tratamento padrão é a RTU-B seguida de instilação intravesical de BCG (bacilo de Calmette-Guérin) ou quimioterapia (mitomicina C), conforme o risco de recidiva e progressão:
O seguimento é fundamental: tumores não músculo-invasivos recidivam em 50 a 70% dos casos, exigindo cistoscopias de controle regulares.
O padrão de tratamento é a cistectomia radical — remoção da bexiga — precedida de quimioterapia neoadjuvante baseada em cisplatina, quando o paciente tem condições clínicas. A cirurgia pode ser realizada por via aberta, laparoscópica ou robótica.
Em casos selecionados, é possível preservar a bexiga com radioterapia e quimioterapia concomitantes (trimodalidade), opção especialmente indicada para pacientes que não podem ou não desejam a cistectomia.
O tratamento de primeira linha é a quimioterapia com cisplatina e gencitabina. Nos últimos anos, a imunoterapia com inibidores de checkpoint (pembrolizumabe, atezolizumabe) demonstrou benefício em segunda linha e em pacientes não elegíveis para cisplatina.
Sangue na urina nunca deve ser ignorado. O câncer de bexiga é altamente tratável quando diagnosticado precocemente — e o diagnóstico começa com uma consulta urológica e uma cistoscopia.
Se você apresentou hematúria, mesmo que tenha desaparecido espontaneamente, procure um urologista para avaliação completa.
Referências: EAU Guidelines on Non-Muscle-invasive Bladder Cancer, 2026 · EAU Guidelines on Muscle-invasive and Metastatic Bladder Cancer, 2026 · AUA Guidelines on Non-Muscle Invasive Bladder Cancer, 2024 · INCA, Estimativa 2023.
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Agendar pelo WhatsAppDr. Bruno Hurtado Rodrigues — Urologista em São Paulo, especializado em uro-oncologia, cirurgia robótica e medicina sexual masculina. Mestre em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center. CRM-SP 139.902 | RQE 55.410.